Protegendo o sistema nervoso central - encéfalo e medula -, existem três membranas (representadas em azul e em dois tons de verde - fig. abaixo). Em uma dessas pode ocorrer a formação de um tipo de tumor relativamente comum na prática diária de um neurocirugião; o meningioma.
Esse tipo de tumor pode acometer a porção supratentorial (a parte mais superior da cavidade craniana), fossa posterior (porção póstero-inferior) e espaço raquemedular. Mas apesar de nascer das meninges, que recobrem as estruturas nervosas, acometem essas estruturas através da compressão, a medida que se desenvolvem. Dependendo da localização onde aparece, os sintomas podem ser precoces ou tardios.
E quais são esses sintomas? São os mais variáveis, desde relacionados a área correspondente em que ocorre a compressão, até crises convulsivas. Cefaléias também fazem parte do quadro.
A grande maioria desses tumores são de comportamento e histologicamente benignos, porém em alguns casos pode haver mudança de comportamento, ou seja tumores que mesmo removidos cirurgicamente, insistem em recidivar e com uma velocidade de crescimento acima do normal, já que o mais comum é que esses tumores levem até décadas para crescer. Quando ocorrem esses descontroles, mas mantendo a histologia benigna, devemos chamá-los de atípicos. Quando o descontrole do crescimento e/ou recidivas vem acompanhado de histologia em que células anaplásicas surgem, devemos classificá-los de menigioma maligno ou anaplasico.
O tratamento dos meningiomas é preferencialmente cirúrgico, já que a remoção total, propicia a cura, na maioria dos casos. Algumas vezes, a localização desses tumores é que determina a gravidade do caso, pois podem surgir em locais de difícil acesso cirúrgico e próximo de áreas consideradas mais nobres, do sistema nervoso central. Nesses casos deve-se levar em consideração a necessidade ou não da remoção total, pois a opção de acompanhar o crescimento da lesão, pode ser adotada, sem danos eminentes ao paciente. Em outros, se opera mais de uma vez, devido ao seu tamanho, que podem chegar a dimensões gigantescas, em comparação a outros tumores.
Em alguns casos, o tratamento pode ser realizado usando a radioterapia, mais comum em tumores anaplásicos, tendo o objetivo de inibir o crescimento de meningiomas benignos. Mais recentemente a radiocirurgia tem sido usada em tumores de dimensões menores, principalmente na possibilidade de sequelas, quando se fala em tratamento cirúrgico.
A quimioterapia ainda é decepcionante no tratamento dos meningiomas, já tendo sido tentada por diversas vezes, porém sem resultados satisfatórios.
Em resumo, a cirurgia é o tratamento preferencial para os meningiomas, dando ênfase à tentativa de remoção total, que determina a cura desse tipo de tumor, na maioria dos casos.
